10/10/2006
  Zero Hora  
  Te pego no cinema!  
  O dia é das crianças, mas o programa mais divertido do feriado desta quinta-feira é reservado também à turma dos grandes. Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, desenho animado em longa-metragem realizado em Porto Alegre por Otto Guerra, promove no cinema um reencontro com os personagens celebrizados nos quadrinhos pelo cartunista paulista Angeli. Aentusiasmada reação do público nas exibições preliminares em mostras e festivais, transformadas em uma afetiva celebração de bom humor e gargalhadas, indica que Wood & Stock preservou na tela a verve anárquica dos quadrinhos. - A expectativa, que não tem me deixado dormir, é ver a reação do público normal, que é bem diferente do que freqüenta mostras e festivais. A meta da Downtown (distribuidora) é de 30 mil espectadores, a minha é de 180 mil, e a da Marta (Machado, produtora) é de um milhão - brinca Otto. Wood & Stock promove uma viagem no tempo com os personagens das tirinhas criadas por Angeli e que ilustraram a célebre revista Chiclete com Banana, lançada em 1983 e que chegou a ter uma tiragem de 110 mil exemplares. A aventura começa em uma festa na casa de Cosmo, em 1972, quando os jovens Wood, Stock, Lady Jane e Rê Bordosa, especialmente ressuscitada, já que havia sido morta por Angeli nos quadrinhos, Nanico e Meiaoito literalmente viajam em meio aos excessos químicos da época. Trinta anos depois, Wood e Stock permanecem dois velhos hippies quase carecas e muito barrigudos que não desistiram de uma vida de paz e amor. E já que para eles o sonho não acabou, decidem reunir os companheiros e reativar a velha banda de rock, empreitada que se dá em meio a responsabilidade de ambos com família, dinheiro e emprego. - É claro que quem conhece os personagens vai se divertir mais, mas o filme também traz temas atemporais, em especial o eterno conflito de gerações entre pais e filhos - afirma Otto. O filme - Wood & Stock começou a ser produzido em abril de 2001. O orçamento total foi de R$ 1,2 milhão. O longa estréia nesta quinta em Porto Alegre, São Paulo e Rio, com cerca de 20 cópias. A censura é de 16 anos. As vozes - Muita gente conhecida empresta a voz para os personagens, entre eles: Zé Victor Castiel (Wood), Sepé Tiaraju de Los Santos (Stock), Rita Lee (Rê Bordosa), Janaína Kremer (Lady Jane, mulher se Wood), Tom Zé (Raulzito, o espírito de Raul Seixas) e Julio Andrade (Overall, filho de Wood). Rita recebeu o surpreendente prêmio de melhor atriz coadjuvante no Cine-PE - Festival de Cinema de Recife 2006. O filme também ganhou o prêmio especial do júri e levou outro pela trilha sonora. O diretor - O gaúcho Otto Guerra milita desde a década de 70 como guerrilheiro em um gênero que caminha à margem da produção cinematográfica nacional. Já realizou diversos curtas-metragens e o longa Rocky & Hudson: Os Caubóis Gays (1994). Atualmente trabalha em outros dois longas: Fuga em Ré Menor para Kraunus e Pletskaya, com os personagens do espetáculo teatral Tangos e Tragédias, e A Cidade dos Piratas, adaptação das tirinhas Os Piratas do Tietê, de Larte. O cartunista - O paulista Angeli foi um dos criadores da revista Chiclete com Banana, sucesso editorial nos anos 1980. Além da galeria de personagens célebres que retratam as mudanças comportamentais, políticas e sociais do país nas últimas três décadas, Angeli assina a principal charge do jornal Folha de S. Paulo.

 
  10/10/2006
  site www.opolvo.com.br  
  O animado mundo de Wood e Stock  
  O universo engraçado, irônico e por várias vezes pesado do cartunista Angeli chega aos cinemas. E pelas mãos do animador gaúcho Otto Guerra, que trabalhou na adaptação dos quadrinhos desde 2000 e finalizou recentemente os 81 minutos apresentados em vários festivais como Gramado e Anima Mundi e que deve chegar aos cinemas gaúchos nos próximos dias. “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Rollâ€? é baseado nos amigos hippies que estão deslocados no mundo moderno, mas ainda traz outras figurinhas conhecidas do trabalho de Angeli, como Rê Bordosa, Rampal e Rhalah Ricota. E Otto Guerra prefere a linha South Park à Disney, fazendo piadas pesadas e ganhando uma censura 16 anos. Os seis anos trabalhando no seu segundo longa (o primeiro foi “Rocky & Hudson: Os Caubóis Gaysâ€?, da obra do gaúcho Adão Iturrusgarai) exigiram muita paciência, tanto para garantir o patrocínio do Ministério da Cultura como para condensar as tirinhas de Angeli em um roteiro interessante. Esse trabalho ficou com Rodrigo John, que misturou inúmeros personagens de uma forma em que a continuidade dá espaço para várias piadas. O grande objetivo de Wood e Stock é brincar com a diferença entre as gerações. Os dois eternos amigos continuam hippies e ligados à filosofia flower power no meio de um mundo globalizado. Mas a vida não é fácil para esses loucos por John Lennon. O filho de Wood é um nerd, sua mulher o abandonou em nome uma vida diferente e Stock tenta sair da solidão paquerando garotas que poderiam ser suas netas. Mas ainda existe esperança para esses antigos bichos-grilo. Eles tentam remontar a banda que tinham na década de 70 e passam por várias confusões, como encontrar Rê Bordosa, os Skrotinhos e Rampal, o Paranormal. Quem conferir “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Rollâ€? também deve ficar atento para quem faz as vozes dos personagens. Rita Lee empresta sua voz (e duas músicas, para a trilha) para Rê Bordosa, enquanto Zé Victor Castiel e Sepé Tiarajú dão vida para Wood e Stock. Uma animação pesada e muito engraçada, um verdadeiro retrato da contracultura.

 
  09/10/2006
  Folha Teen - Folha de São Paulo  
  Por um punhado de orégano  
  "Wood & Stock" queimam toda a erva que encontram pela frente em longa-metragem que reúne diversos personagens superengraçados das tirinhas do cartunista Angeli Um aviso importante: abra a sua cabeça antes de entrar no cinema, porque sexo, orégano e rock'n'roll, subtítulo de "Wood & Stock", vão rolar durante a hora e 20 minutos que dura o longa-metragem baseado nos personagens das tirinhas "Chiclete com Banana", do cartunista Angeli. E prepare-se também para rir muito, com a ajuda do Folhateen, que explica ao lado algumas das referências antigas citadas em "Wood & Stock". Assim, mesmo não sendo um neovelhinho, você não vai ficar boiando na maioria das piadas. No filme, que estréia no feriado de quinta, Wood e Stock são dois hippies que passam o dia inteiro vendo TV. Também se trancam no banheiro para fumar orégano escondidos do filho de Wood, Overall. O adolescente morre de vergonha do pai e também da mãe, Lady Jane, que abandona a família para passar uma temporada de renovação no templo do guru Rhalah Rikota (outro personagem de Angeli). Após ter uma visão do cantor Raul Seixas (dublado pelo cantor Tom Zé), Wood, que toca bongô, resolve montar uma banda de rock, a Chiqueiro Elétrico, com Stock na guitarra, Rampal (o paranormal) na bateria e o porquinho Sunshine no microfone. A situação cômica está armada, com tramas paralelas que seguem o ritmo de três quadros das tirinhas de Angeli. Entre ensaios da Chiqueiro Elétrico e a tentativa de a banda participar de um festival de novos talentos, vemos os planos terroristas dos gays Nanico e Meiaoito, o sexo tântrico de Rhalah Rikota e Lady Jane e a ressurreição triunfal de Rê Bordosa, a carismática junkie -dublada por Rita Lee- morta pelo próprio cartunista e revivida oportunamente aqui para passar por situações divertidas. E prepare-se para pirar com um dos finais de filme mais doidos do cinema. "Wood & Stock" é diversão garantida. E isso não é viagem.

 
  22/09/2006
  http://ego.globo.com/Entretenimento/Ego/  
  Otto Guerra coloca personagens de Angeli na telona  
  Os personagens de Angeli ganharam a telona. Sim, sim. Os ex-hippies detonados da era flower power do cartunista estréiam nesta sexta-feira à noite no Festival do Rio, no filme que leva o nome de “Wood & Stock- Sexo, orégano e rock'n'rollâ€?. A sessão está marcada para as doze badaladas e faz parte da mostra Midnight Movies, para a galera que mais, digamos assim, aprecia o lado trash das produções do gênero. O filme começa com uma festa na virada para 1972, na casa de Cosmo, em que estão os jovens Wood, Stock, Lady Jane, Rê Bordosa, Rampal, Nanico e Meiaoito. Num piscar de olhos, 30 anos se passam e os personagens enfrentam as dificuldades de um mundo cada vez mais individual e consumista. O responsável por dar vida aos doidões mais figuras e escrachados das tirinhas é Otto Guerra, gaúcho e fã número um da obra de Angeli. Em entrevista exclusiva ao EGO, ele fala sobre a expectativa e das dificuldades de fazer um longa de animação no Brasil. Em que os protagonistas são dois bichos-grilos perdidos no tempo. POR Leticia Rio Branco Como surgiu a idéia de adaptar os personagens do Angeli para um longa de animação? Sou fã do cara (Angeli) e confesso que achei estranho não terem feito um filme dos personagens dele antes. O Wood e o Stock são o Chiclete com Banana da década de 80. Foi assim. Mas precisava de muita grana, estávamos no ano de 1996, na época da retomada. Aí encaminhei para as leis, demorou quatro anos para conseguir aprovação. Como o Angeli reagiu diante do filme pronto? Ele gostou muito. Assistimos ao longa em Recife e só o vi se divertindo com uma garrafa de vodca (risos). É muito bacana porque o desenhista de quadrinhos não tem esse retorno do público. E sem contar que ele tem a possibilidade de ver todo o universo dos personagens que ele criou ali, são os filhos dele. Foi difícil buscar inspiração para uma sinopse linear com base nas tirinhas? Rolou um bom cachê? É claro, é difícil contar uma história de uma hora e vinte, não estamos falando de uma tirinha de quadrinhos. O roteiro passou por seis mudanças. Fiz até a Oficina do Sundance e, no quinto tratamento do roteiro, mudamos tudo. Como o Angeli reagiu diante do filme pronto? Ele gostou muito. Assistimos ao longa em Recife e só o vi se divertindo com uma garrafa de vodca (risos). É muito bacana porque o desenhista de quadrinhos não tem esse retorno do público. E sem contar que ele tem a possibilidade de ver todo o universo dos personagens que ele criou, são os filhos dele. Como tem sido a receptividade nos festivais por onde o filme passou? O que espera do público quando o filme entrar em cartaz? O público dos festivais tem gostado, mas são pessoas que gostam de cinema. O pessoal que viu e os críticos elogiaram. Também não tenho essa resposta do público em geral. Quero ver o que vai rolar, se vai ter gente assistindo ou não. Sei que o filme foi selecionado para um festival na Espanha e um na Alemanha. Mesmo assim, ainda estamos na pré-história da animação. O elenco de dubladores tem muitas estrelas, como Rita Lee e Tom Zé. Como foi essa seleção? Rolou um bom cachê? O Angeli conhece a Rita, ele até brinca que ela plagiou a Rê Bordosa. Os dois têm uma admiração recíproca, são super rockn’n’ roll. Fizemos uma gravação em Sampa simples. O cachê foi revertido: nós cuidamos de um canil em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, demos uma bola lá, já que é uma entidade apoiada por ela. Os cachês foram simbólicos. O Zé Vitor Castial era o próprio Wood, ele era hippie mesmo em São Paulo. O trabalho do Angeli tem essa característica de criticar o lado podre do sistema. O filme traz isso de que forma? O trabalho do Angeli é uma crítica social pesada do mundo individualista, dos valores de consumo. Ele é uma metralhadora giratória. É esse Brasil mesmo, um país legal, mas que tem essa coisa de estar sempre reclamando. Acho que gente é muito sortudo. Não dá para se ter só coisas boas, assim, só no paraíso. O filme foi classificado para acima de dezoito anos e depois caiu para dezesseis. O que acha disso? Acho que não tem nada a ver. Nós entramos com o recurso para abaixar para dezesseis, logicamente. Eles alegaram que o filme tinha apologia à s drogas, mais aí eu disse que estava pegando leve. Estamos falando de dois hippies decadentes, os caras estão maus. Eles não têm nada de exuberante.

 
  08/09/2006
  Revista Aplauso  
  O kikito do Otto  
  Mesmo sem participar da mostra competitiva em Gramado, Wood & Stock teve sessão de luxo na madrugada da serra e uma ótima acolhida do público por FLÃ?VIO ILHA Lá fora, a temperatura beirava 0o C, mas na sessão da madrugada de sexta-feira, 18 de agosto, a sala de exibição do Palácio dos Festivais fervilhava. A explicação estava na tela: fora da mostra competitiva, a exibição do longa Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, uma animação com a assinatura do estúdio de Otto Guerra baseada nas tiras de Angeli, arrastou um público que não foi visto em nenhuma das dez sessões oficiais do Festival de Gramado deste ano. A sala estava cheia, em que pese o horário, o clima e a preliminar do longa gaúcho na mostra competitiva – o documentário brasileiro Os Atos dos Homens, de Kiko Goifmann, levou muita gente ao saguão do cinema antes da hora. Mas valeu a pena. Numa sessão animada, o filme – que tem estréia prevista para outubro em circuito comercial, dependendo ainda de contratos de distribuição – sacudiu a poeira de Gramado. Foi recebido com aplausos e assobios. Durante a projeção, gargalhadas acompanharam constantemente as peripécias da dupla de hippies que tenta, 30 anos depois do flower power brasileiro, ressuscitar uma banda de rock num mundo cada vez mais individualista e competitivo. "A premissa do filme parte de uma das mais angustiantes dúvidas de todo mundo: o que vou estar fazendo daqui a 30 anos?", sintetiza Otto Guerra. O filme arrebatou três prêmios no Cine Pernambuco deste ano – o mais polêmico deles foi dado à cantora Rita Lee, que "interpreta" a anárquica Rê Bordosa. Além disso, bateu todos os recordes de público da Anima Mundi nas cinco sessões que fez no festival do Rio de Janeiro, em julho. E vai participar, em novembro, do badalado Animadrid, na Espanha. É um baita cartão de visitas, que compensa a exclusão do filme da mostra competitiva de Gramado. "Andavam comentando aqui no festival que a Rê Bordosa parecia um kikito", brinca Otto, ironizando a chance que não teve de acrescentar mais um troféu à sua extensa lista de prêmios. APLAUSO reuniu parte da equipe de produção do longa para uma conversa antes da exibição especial em Gramado. Leia a entrevista na íntegra na edição impressa de APLAUSO 78

 
  08/09/2006
  site www.eupodo.com.br  
  Wood & Stock, Rê Bordosa e sua trupe na telona!  
  Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll transfere para as telinhas e telonas as aventuras da impagável turma de personagens criados pelo cartunista Angeli nos anos 80. Como não poderia deixar de ser, o filme é uma típica “viagemâ€? que começa numa festa de embalo na noite de ano novo de 1972. De repente, Wood dá um salto de 30 anos no tempo e se descobre gordo, casado com Lady Jane e pai de Overall, o guri mais caretão do planeta. Não bastasse esse quadro familiar apavorante, situado num mundo contemporâneo devidamente globalizado, Wood ainda tem que abrigar o velho parceiro Stock, transformado num sem-teto com a morte do pai, e segurar no peito a crise no casamento com Lady Jane, que resolve dar um tempo na relação. E para completar, ressurge das cinzas a porraloca Rê Bordosa para atucanar ainda mais a anormal vida familiar de Wood. Em meio a tanta confusão, paira no ar um misterioso (ou seria misteriosa?) sexual killer… Através de Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, o diretor Otto Guerra (Otto Desenhos Animados) insere, finalmente, o mundo do desenho animado na tão propalada retomada do cinema nacional. Vencedor do concurso do Ministério da Cultura para filmes de baixo orçamento, Wood & Stock revisita o mundo do consagrado cartunista Angeli, transpondo para a tela uma aventura completa de personagens que fazem a alegria de milhares de leitores há pelo menos 20 anos. Além dos eternos hippies Wood e Stock, a galeria de personagens inclui as memoráveis figuras femininas de Lady Jane e Rê Bordosa, que ganhou a voz de Rita Lee. Como forma de peitar o establishment e tentar ganhar um troco para pagar as contas, Wood e Stock resolvem refazer a velha banda de rock que já tinha sido um fracasso nos anos 70. Tudo isso seguindo o conselho de um fruto de delírio chamado Profeta Raulzito, que ganhou a voz do gênio tropicalista Tom Zé. Os revolucionários Nanino e Meiaoito também estão nesse longa de animação que transforma em crônica sarcástica as agruras de quem insiste em acreditar num ideal em meio ao ultramoderno e cruelmente globalizado mundo contemporâneo. Wood & Stock chegou aos cinemas comerciais em 25 de agosto de 2006, numa distribuição ‘itinerante’, realizada pela Snif Snif Filmes, começando pelo Rio Grande do Sul, logo após o Festival de Gramado, e seguindo para SP (15/09), Rio (29/09) e assim por diante, de cidade em cidade. Baixe aqui - prontinho para o seu iPod - o trailer de Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll. Nossos agradecimentos à Marta Machado, produtora do filme, pela autorização exclusiva da divulgação do trailer no formato iPod aqui no euPodo e também ao colega TIGOS pela hospedagem do trailer. 2 curiosidades, dentre tantas, sobre Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll: • Entre layouts, cenários e animações, foram feitos de 35.000 a 40.000 desenhos para a produção do longa; • No início de junho, o Ministério da Justiça acolheu o pedido de reconsideração da classificação indicativa do filme para 16 anos. Ela havia sido estabelecida inicialmente como 18 anos, fazendo de Wood & Stock a primeira animação brasileira a ser considerada proibida para menores. Com a nova classificação, o filme passa agora a ser acessível nos cinemas para jovens menores de 16 anos acompanhados dos responsáveis. Sendo assim, Wood & Stock foi o primeiro longa-metragem de animação brasileiro a receber do Ministério da Justiça classificação indicativa “inadequado para menores de 18 anosâ€?. E enquanto isto, nas novelas da Globo sempre tem aquele bacanal tremendo e ninguém fala nada… Que beleza! Website: www.woodstock.etc.br

 
  29/08/2006
  Terra Magazine  
  Sem data de estréia, Wood & Stock já é sucesso  
  A parceria entre Wood&Stock, os ripongas de Angeli, e a produtora Otto Desenhos Animados sempre pareceu evidente. Mas uma evidência que levou oito anos para ser concluída e que em 2006 finalmente chegou aos circuitos dos festivais. Já é cult, tem seguidores, fãs animados que escrevem para o site do filme (www.wood&stock.ETC.br) atrás de informações e de decalques e que aguardam, ansiosos, a chegada do longa-metragem aos circuitos comerciais. Apesar do estrondoso sucesso de público no Anima Mundi, no Festival de Gramado, em mostras em Belém, Ouro Preto e em competição no Festival de Cinema do Recife - onde levou os prêmios do júri, de trilha sonora e um inusitado prêmio de atriz coadjuvante para a voz de Rita Lee como Rê Bordosa - o filme dirigido por Otto Guerra enfrenta com maior dificuldade, por ser independente e animação, os problemas de inserção de outras produções nacionais. A incansável produtora Marta Machado (da Snif Snif Produções, cujo nome vem da convenção usada para o choro nos quadrinhos, mas que tem sido saudada com gargalhadas pelo público a cada exibição, por analogia com outras fungadas) espera agora o resultado de um concurso da Petrobrás e estuda propostas de distribuidoras para definir de uma vez por todas a data de lançamento nacional do filme. Mas "Wood&Stock, Sexo, Orégano e Rock'n'Roll" já está pré-consagrado pelo boca-a-boca do público, e não poderia ser diferente: além de Wood e Stock, dublados por Zé Vitor Castiel e Sepé Tiaraju de los Santos, o filme ressuscita a Rê Bordosa/Rita Lee, que morreu nos quadrinhos mas revive nas telas depois de sentir cheiro de álcool no IML, tem participação especial de Tom Zé como o guru Raulzito e uma trilha sonora que inclui a própria Rita Lee, Novos Baianos e Arnaldo Baptista. O filme tem também um acabamento primoroso, apesar do espírito trash, e o talento dos animadores foi recompensado pela carta branca dada a eles por Angeli, que normalmente não concede a ninguém o direito de desenhar seus personagens. As cenas de sexo e a temida apologia à s drogas chegou a determinar uma proibição para menores de 18 anos, depois mudada para 14, mas o diretor Otto diz que era importante manter o tom dos quadrinhos e não fazer concessões. "Uma noite eu estava bebendo com o Angeli e surgiu a idéia", explica Otto, que cultiva uma reputação boêmia e udigrudi apesar dos charmosos cabelos brancos. Mas mesmo que, aparentemente, tenha grande parte de suas idéias em mesas de bar, a verdade é que Otto mantém uma carreira relativamente estável e viável há quase 30 anos. A Otto Desenhos Animados foi criada em 1978, em Porto Alegre, por um "jovem musculoso e talentoso", então com 22 anos, como afirma o site da empresa (que vale a pena ser visitado e onde podem ser vistos trechos dos filmes: www.ottodesenhos.com.br) e tem nove filmes no currículo (entre eles o também cult Rock&Hudson, adaptação das tiras com os "cowboys gays" de Adão Iturrusgaray, versão primitiva e profética de Brokeback Mountain) além de centenas de comerciais. Otto Guerra é um dos cinco brasileiros citados na bíblia da animação da Taschen, Animation Now, onde é chamado de "o papa underground da animação brasileira". Uma espiada em sua filmografia revela um cineasta sem medo de ser trash, mas dono de um olhar muitas vezes refinado e de um faro certeiro para descobrir novos talentos entre os jovens animadores. A única grande crise pela qual passou (além de um auto-imposto exílio carioca que o fez chegar a 100 quilos e perder alguns dos músculos da juventude, segundo ele mesmo informa) aconteceu com a chegada dos computadores nos anos 90. Ainda hoje Otto fala com uma certa nostalgia das mesas de animação e da truca, tornadas obsoletas de um dia para o outro na grande revolução digital. Mas a transição foi feita e hoje a espaçosa casa da produtora, em Porto Alegre, aloja uma dezena de computadores e os mais avançados softwares, todos eles funcionando sem parar. Otto mora no estúdio, do qual se diz dono e guarda noturno. Além do trabalho de distribuição de Wood&Stock, a Otto Desenhos Animados prepara mais três filmes: Maíra, adaptação de trechos do romance de Darcy Ribeiro com direção de arte de Hélio Coelho (a ser visto como curta-metragem e também dentro do documentário "Séculos Indígenas do Brasil", de Frank Coe), imagens para o documentário Lutzemberger:Forever Gaia, sobre o ambientalista José Lutzemberger, também em colaboração com Frank Coe, e Fuga em Ré Menor para Kraunus e Pletskaya, sobre os personagens do espetáculo teatral "Tangos e Tragédias", com direção de arte de Eloar "Alemão" Guazzelli.

 
  12/08/2006
  http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2130883,0  
  Alemães assistem a "Wood & Stock" debaixo de chuv  
  Longa-metragem com os personagens do cartunista Angeli tem estréia internacional no prestigiado Open Air Filmfest de Weiterstadt, que chega à sua 30° edição. A mostra internacional de cinema mais charmosa da Alemanha serviu na madrugada deste sábado (12/08) como plataforma de lançamento no exterior de Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, filme do diretor Otto Guerra baseado nos personagens do cartunista Angeli. Fechando a segunda noite do Open Air Filmfest de 2006 em Weiterstadt, a poucos quilômetros de Frankfurt, a película veio provar que também se produz bons filmes de animação no país de Cidade de Deus. Como no festival de Woodstock, que abalou os Estados Unidos no verão de 1969 e inspirou Angeli na criação dos personagens hippies Wood e Stock, a exibição do longa brasileiro na mostra ao ar livre foi castigada por uma chuva impiedosa, que afugentou a maior parte dos cerca de 200 espectadores que foram ao bosque Braunshardter Tännchen ver o evento, cuja entrada é franca. Mas nem isso serviu para abalar o ânimo dos incansáveis produtores do Filmfest. Afinal, não há motivos para reclamar quando uma mostra com o perfil da apresentada em Weiterstadt consegue completar 30 anos de existência, sem abrir mão de seus princípios fundamentais de não ceder ao comercialismo da indústria cinematográfica. A contracultura no país tropical Sexo, Orégano e Rock'n'Roll conta a história das alucinadas bravatas da geração flower power numa terra periférica chamada Brasil. Dirigido pelo gaúcho Otto Guerra, velho admirador de Angeli, o filme não corre o menor risco de ser incompreendido pelas platéias internacionais. A temática da geração dos sixties permanece viva no imaginário europeu, ainda que a humanidade tenha se tornado muito mais materialista do que na década de 1960 e lemas como o sexo livre e o pacifismo estejam soterrados pela proliferação da Aids e as guerras da era Bush. "É interessante observar que ídolos da contracultura como Jimi Hendrix, Robert Crumb e Janis Joplin também tenham se popularizado num país como o Brasil. O cosmopolitismo está mesmo em toda parte e isso não é de hoje", comentou o cinéfilo Werner Buxbaum. As tiradas hilárias dos personagens Rê Bordosa, Meia-Oito, Nanico, Lady Jane e Rhalah Rikota arrancaram gargalhadas do público, ainda que as legendas fossem em inglês. Embalados pelo rock tupiniquim de uma trilha-sonora que tinha de Novos Baianos a Rita Lee, passando por Tom Zé, Arnaldo Batista e Júpiter Maçã, os espectadores resitiram até o final da exibição, à s 2h45 deste sábado, como quem saboreia a rara oportunidade de ver na Alemanha o que a animação brasileira vem produzindo. "Se eles soubessem que as vozes dos personagens Rê Bordosa e Profeta Raulzito foram feitos por gente como Rita Lee e Tom Zé, nossos eternos tropicalistas, o barato seria ainda maior", afirmou o paulistano Caio de Albuquerque, um dos poucos brasileiros presentes. Nem Angeli nem Guerra puderam participar da exibição em Weiterstadt. "Infelizmente, os dois tiveram que ficar no Brasil por causa da mostra Anima Mundi. Mas o sobrinho de Otto, Tiago Guerra, que também trabalhou na produção do filme e vive hoje em Paris, vem para o nosso festival", contou Andreas Heidenreich, assessor de imprensa do evento.

 
  04/08/2006
  Jornal do Commércio - Porto Alegre  
  As agruras de dois velhos hippies  
  O sucesso no Festival Ani- ma Mundi foi tanto e as críticas tão positivas que o longa Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, novo filme de animação do gaúcho Otto Guerra, já garantiu seu lançamento nos cinemas brasileiros: será em setembro, com distribuição da Snif, Snif Filmes. Antes do Anima Mundi (que terminou semana passada no Rio de Janeiro), a produção já tinha sido bem recebida no Festival de Cinema de Pernambuco, onde faturou os prêmios de melhor trilha sonora, do júri e o de melhor atriz coadjuvante para Rê Bordosa, que no filme é dublada por Rita Lee. Outra boa receptividade foi em junho, quando Wood & Stock foi exibido para mais de 800 pessoas no Cine Vila Rica (que tem 400 lugares) em Ouro Preto. Apesar de ter sido esnobado pela comissão que selecionou os filmes para mostra competitiva do Festival de Gramado, a produção também será vista na Serra, numa sessão fora de concurso no dia 17 de agosto. Projeto premiado no programa de filmes de baixo orçamento do Ministério da Cultura, Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll cumpriu uma trajetória complicada, como é comum ao cinema independente brasileiro. Além da eterna falta de recursos que cerca esta área do entretenimento, pesou o fato de Wood & Stock não ser um filme voltado para o público infantil. Embora seja uma animação, a trama fala de sexo, drogas e tem personagens nada convencionais. Para quem não tem muita familiaridade com os nomes que dão título à história, a animação é centrada nos personagens do cartunista Angeli que já visitaram páginas de jornais, revistas e livros e agora, nas telas dos cinemas, aparecem numa versão irreverente para o clássico verso de Lennon, que diz que "o sonho acabou". Na história, Wood e Stock, dois hippies típicos dos anos 1970, exageram na dose de LSD e vêm parar nos dias atuais. Nesse futuro, que nada tem a ver com os velhos sonhos de paz e amor, eles estão velhos, carecas e barrigudos. Além disso, o filho de Wood, Overall, é um típico jovem nerd que abomina todas as atitudes do pai. E, para piorar, a mãe (Lady Jane), cansada da vagabundagem do marido, resolve sair de casa e embarca num curso de meditação tântrica conduzido pelo picareta guru Rhalah Rikota. Oprimidos pelas agruras do mundo contemporâneo (individualismo em alta, consumismo em eterna ascensão), Wood e Stock recebem uma mensagem semimediúnica do profeta Raulzito e resolvem que é hora de remontar aquela velha banda dos anos 70 para mostrar ao mundo que o inconformismo ainda é a alma do negócio. Os outros coadjuvantes da história são Nanico e Meiaoito, Overall, Rampal, Sunshine, Skrotinhos e Purpurina. O roteiro de Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll é assinado por Rodrigo John e recebeu colaborações do próprio Angeli e também de Otto Guerra, Marta Machado, Tomás Creus e Lúcia Koch. Além de Rita Lee, o elenco de dubladores tem Zé Victor Castiel, Sepé Tiaraju de Los Santos, Tom Zé, Felípe Mônaco, Heinz Limaverde, Janaína Kremer, Julio Andrade e Michele Frantz.

 
  01/08/2006
  site www.bigorna.net  
  Wood & Stock não tem preço  
  O Anima Mundi 2006 se foi e foi um sucesso. Como disse um dos quatro diretores, o animador Marcos Magalhães, essa foi a primeira vez em que dois longas de animação brasileiros foram lançados de uma vez só. Isso porque até então, em 14 anos, apenas dois longas tinham sido lançados separadamente. Tendo cerca de oito filmes em diversas fases de produção no último ano, não seria nada impossível que dois aparecessem agora. Um dos dois longas é Brichos, de Paulo Munhoz, que teve apoio das Leis de Incentivo e Audiovisual, de concursos do BNDES e da Petrobrás, e que contou com uma equipe enxuta. Muitos componentes desta mesma equipe fizeram várias vozes. O filme fala de uma cidadela animal, no interior do Brasil, que está ameaçada de perder sua identidade nacional, a não ser que um grupo de garotos (uma oncinha, um tamanduá e um tatu) consiga reverter toda a coisa. O tema do filme é a identidade. E atentem para os detalhes contidos no cenário, são uma diversão à parte. Inventivo e com personagens secundários engraçados, o desenho é quase panfletário (naquele sentido de "eu sou brasileiro, você é estrangeiro, nós somos diferentes"), muito brasilianista, estabelece diálogo com a garotada atual através de situações como a gíria ou o gosto pelo videogame (o que pode incorrer num problema mais adiante, de todo modo), mas possui um tom leve com algumas boas situações, e a platéia reage atenta. Quando se pensa que a platéia não está ligada no filme, irrompem algumas boas risadas. Paulo Munhoz é um vitorioso. O filme fará uma boa figura em colégios, sugere e suscita uma gama de discussões a respeito da questão da identidade. E há ainda uma divertida piada nos créditos finais, daí que o espectador não se dissipe da sala nesse momento. Mas foi o outro longa brasileiro, Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, que arrebatou não só a platéia da sala 2 do Memorial da América Latina no último sábado (dia 29/07) como também teve um de seus pais, o cartunista Angeli, aplaudido efusivamente, demoradamente, tendo sido ovacionado pelo público presente. E isso antes mesmo do filme começar! O cineasta gaúcho Otto Guerra, diretor do filme, falou sobre os dez anos que levou para Wood & Stock ganhar vida, desde a idéia de fazer o longa, incluindo dois anos de escritura do roteiro e cinco de produção efetiva. O filme é um triunfo. Faz referências a toda uma época, a toda uma cultura, utilizando habilmente todos os principais personagens clássicos de Angeli, sendo que a dupla de velhos hippies, Wood & Stock, são os protagonistas. O ator gaúcho José Victor Castiel (que já trabalhou em novelas globais como Laços de Família) faz a voz do Wood. Rita Lee faz a voz da clássica (e renascida, ainda que trôpega e divertidíssima) Rê Bordosa, enquanto Tom Zé dá voz para um louquíssimo espírito de ninguém menos que Raulzito Seixas. Mas a verdade é que no Rio o longa teve uma recepção tão calorosa como a de São Paulo, sendo um grande empurrão para o boca-a-boca e a curiosidade acerca dele, para quando for lançado. Wood & Stock teve apoio da Fumproarte, a lei de incentivo municipal de Porto Alegre, além de apoio de outras empresas e bancos gaúchos. A Ancine, através das Leis de Incentivo e de Audiovisual, cumpre a chancela oficial da película. As piadas e referências contidas tanto no cenário como nos diálogos, chegam ao ápice no meio do filme, quando a banda Chiqueiro Elétrico, que retorna à vida pelos personagens, faz uma divertida menção aos Beatles. É hilariante. A platéia vem abaixo, em aplausos. No mais das contas, a platéia ri o tempo todo com Rê Bordosa, Ralah Rikota, Meia-Oito e Nanico, entre outros. O filme são risadas de ponta-a-ponta. Ah, e existe até uma aparição do Bob Cuspe, ele não poderia faltar. O filme funciona, tem timing perfeito para piadas e em muitos casos várias tiras de Angeli são reconhecidas pelos leitores e fãs. Pode-se dizer, brincando com aquele comercial do famoso cartão de crédito que, não importando quanto custe o ingresso, Wood & Stock não tem preço. The Little MatchGirl: como foi O último filme da Disney no sistema 2D utilizando o software CAPS, A Vendedora de Fósforos (The Little Matchgirl) foi exibido sob aplausos da platéia. Como já dissemos aqui, ele estará no DVD do longa A Pequena Sereia a ser lançado em edição especial ainda este ano, graças à s duas histórias terem sido originariamente escritas por Hans Christian Andersen. Como não havia no inicio deste curta dirigido por Roger Allers (de O Rei Leão), o selo da produtora, como de costume, o público sequer reparou que se tratava de um filme da Disney, mas chegou a suspeitar disso devido à qualidade de animação, cores (aquareladas) e timing perfeito. A melancolia de The Little Matchgirl se faz presente na historia da menininha pobre que, no inverno rigoroso de São Petersburgo, tenta vender desesperadamente seus fósforos e assim encontrar algum conforto e felicidade em sua vida. À medida que a garota acende seus fósforos, ela visualiza uma vida diferente daquela que está sofrendo, no frio imenso.O filme não possui diálogos e as imagens que a menininha imagina, através dos fósforos, são de parentes amorosos, comida farta, árvore de Natal e um local que ela possa chamar de "lar". A música do filme, um noturno famosíssimo de Alexander Borodin, faz um lindo, tocante e singelo apoio à trama. Interessante a Disney ter escolhido justo a versão dessa melancólica fábula de Andersen para encerrar a carreira de todo um setor do estúdio, de toda uma era. Digamos assim, simbólico. John Canemaker: como foi Historiador da Animação Americana, autor de mais de dez livros, ator, produtor, roteirista e animador, o simpático John Canemaker foi um dos convidados para o Papo Animado, nesta edição do Anima Mundi. E ele foi também o vencedor do Oscar de Melhor curta de animação pelo seu belo e contundente The Moon and the Son (de 2005), em que destrincha a turbulenta relação com o seu pai, um imigrante italiano que sempre o colocava pra baixo. A palestra de Canemaker foi recheada com seis trabalhos importantes do autor, além de material em DVD e Power Point, onde eram exibidos storyboards, trechos de roteiros e making-ofs de filmes como O Mundo Segundo Garp, do cineasta George Roy Hill, para o qual o animador produziu trechos traduzíveis apenas sob a forma de desenho. Pra quem não lembra, esse filme marca a estréia, no cinema, de Glenn Close e é estrelado por Robin Williams. Canemaker, para ganhar dinheiro, faz trabalhos para a publicidade e para TVs como a CBS, a ABC e a PBS (esta última, a tevê educativa americana), e arranja tempo para os seus projetos pessoais (como o do Oscar, ou mesmo outros como os criativos Confissões de uma Estrela e Confissões de um Comediante), através de sua produtora. O interessante é que, para Canemaker, boa parte de sua carreira começou quando uma freira, em Nova York, precisava de uma pesquisa nos arquivos dos estúdios Disney. Indo para a Califórnia, o rapaz de então 28 anos se torna historiador – e assim virou especialista em Otto Mesmer (criador do Gato Félix), Disney e no grande Winsor McCay (de The Little Nemo). E entre outras coisas, John Canemaker relata com orgulho o conselho impagável de dois grandes mestres da animação do estúdio Disney, dois dos "Nine Old Men" e também autores de livro Ollie Johnston e Frank Thomas: "na hora de criar uma cena para um storyboard, vasculhe todas as possibilidades de imagem, e escolha a mais forte, a mais bela, a mais contundente".

 
  26/07/2006
  Jornal O Globo  
  A animação tradicional sai vencedora do festival  
  Apesar de toda a badalação em torno da computação gráfica, foi a boa e velha animação com bonecos quem brilhou na cerimônia de premiação do 14ºAnima Mundi, realizada anteontem na Praça Animada (ao lado do Centro Cultural Correios), abarrotada de espectadores. Diálogo entre quatro religiosos — um rabino, um xeque, um monge e um padre — o curta-metragem “Paxâ€?, do paranaense Paulo Munhoz, ficou com o primeiro lugar na categoria melhor animação brasileira, amparado no vigor de seu roteiro. Para Munhoz, o evento foi uma vitória dupla, uma vez que a mostra exibiu seu primeiro longa-metragem, “BRichosâ€?, para um público de quase 600 pessoas. Na categoria animação infantil, também venceu um curta com figuras de massa: o paulista “Minhocasâ€?, de Paolo Conti. O resultado só fez demonstrar a valorização do stop-motion, a técnica em que as figuras são animadas quadro a quadro. — “Paxâ€? e “Minhocasâ€? têm uma produção muito elaborada. Mas o principal é a construção dos personagens em cena, o que é fundamental quando se trabalha com stop-motion — avalia César Coelho, um dos diretores do festival. Este ano, a mostra teve um crescimento de 10% em relação ao Anima Mundi 2005: 63.564 pessoas passaram pelo evento ao longo de dez dias. A sessão do longa-metragem “Wood & Stock: Sexo, orégano e rock’n’ rollâ€?, do gaúcho Otto Guerra, no último dia 15, na Praça Animada, foi uma mais cheias de toda a história do festival. — Houve uma mudança no público deste ano — avalia Coelho. — Continuamos a ser um festival jovem, com freqüentadores com média de idade entre 16 e 30 anos. Mas, desta vez, o número de famílias aumentou, o que refletiu no resultado do júri popular, consagrando enredos mais sentimentais. Coelho se refere à escolha de “First flightâ€?, de Cameron Hood e Kyle Jefferson, da DreamWorks (a produtora responsável por sucessos como a franquia “Shrekâ€? e pelo recente “Os sem-florestaâ€?), como melhor curta do Anima Mundi. O filme, carregado em tintas emotivas, mostra a luta de um funcionário público para ensinar um passarinho a voar. Amanhã o Anima Mundi parte para São Paulo, onde acontece até o dia 30.

 
  14/07/2006
  http://oglobo.globo.com/online/blogs/cinema/  
  Marola no ar  
  Tem marola no ar. Mas aquietem-se fãs da canabis. O aroma é só de celulóide desenhado. Afinal, depois de dez anos de espera, os fãs cariocas do cartunista Angeli finalmente poderão ver "Wood & Stock - Sexo, orégano & rock'n'roll" (assista a um trecho do filme. A adaptação do animador gaúcho Otto Guerra para os hippies mais famosos das HQs brasileiras passa sábado, dia 15), à s 21h, na Praça Animada, ele entre o Centro Cultural dos Correios e o CCBB, na programação do 14º Anima Mundi. - Como o computador barateou muito as técnicas de animar um filme, é mais fácil hoje que o número de longas-metragens nacionais aumentem - diz Guerra, ao saber que "Wood & Stock" não é o único longa nativo no Anima Mundi. No domingo, dia 16, passa "Brichos", de Tadao Miaqui e Paulo Munhoz. É a primeira vez que dois exemplares nacionais de longa duração inéditos passam de uma só vez no evento. E olha que Guerra penou. Fez o filme com R$ 1.005.000,00 - "Parece piada, né?", brinca o diretor - apertando daqui e espremendo de lá. E nada de encontrar um apoio sólido para a finalização e a distribuição. Mesmo assim, seu filme arrancou aplausos de mais de 3 mil pessoas no 10º Cine PE, em Recife, e ainda saiu de lá com um prêmio de melhor atriz coadjuvante para Rita Lee, que dubla a Rê Bordosa. - O grande problema de se fazer longa do Brasil, além de todos os outros comerciais, é que como a gente ainda vive a nhaca de ter que reinventar a roda a cada novo filme, a gente acaba cuidando pouco dos roteiros - diz Guerra, em resposta aos que reclamam de certa obviedade em seu script, apesar das deliciosas piadas que apimentam o filme. Na divertida trama, que lembra "Os Irmãos Cara-de-pau", Wood e Stock, sem grana para arcar com as despesas, resolvem remontar a banda que tinham nos anos 60. O arrebanhar de novos integrantes para o conjunto rende momentos hilários. - Para essa coisa do mercado brasileiro de longa dar certo, não adianta ter roteiros de merda. Temos que ter filmes comerciais - diz o animador, que tem conquistado elogios de público com a fita. Este sábado, espera-se que "Wood & Stock" vire o recordista de público do Anima Mundi em 2006. Guerra reza para que isso aconteça. Ele já cansou de sofrer. Com "Rocky & Hudson - Os caubóis gays" (1994), o primeiro longa de Guerra, baseado na tira de Adão Iturrusgarai sobre dois pistoleiros homossexuais, a situação do cineasta também não foi fácil. Guerra não disfarça uma pontinha de vergonha ao lembrar que, ao ser comprado pelo Canal Plus, na França, o escoamento dado a seu desenho não foi dos mais singelos. Seu destino: a sesssão "Cine Trash", o programa mais chulé da emissora francesa. Mesmo assim, o animador arrebanhou fãs. - Até hoje, se vou a algum festival na Europa, chega um cara esquisito perto de mim e pergunta: "Cara, tu é Otto?". Tudo por culpa do "Cine Trash". Mas a pior memória do diretor é saber que as chances de ver um VHS de "Rocky & Hudson" nas locadoras foram frustradas pelo preconceito de um distribuidor de vídeo capixaba. - Quando "Rocky & Hudson" foi exibido no Festival de Brasília, ainda na primeira metade dos anos 90, o olheiro de uma distribuidora de vídeos de Cariacica viu o filme e ficou louco com ele. Os caras então compraram o longa e me deram um adiantamento em dólar, de US$ 5 mil. Estava feliz até saber que o dono da empresa, depois de ter assistido ao desenho, resolveu vetar seu lançamento em VHS. Por que? Porque o cara disse que não distribuía filme gay. Pode ser? Atualmente, Otto já desenvolve um novo projeto de longa: "Fuga em ré menor para Kraunus e Pletskaya", baseado nos personagens da peça "Tangos & tragédias", um fenômeno teatral vindo do Sul. Ele sabe que é certo encarar enguiços do mercado. Mas está disposto a encarar os problemas. - Depois de dez anos de "Wood & Stock", quero fazer algo que me dê prazer - diz o animador.

 
  12/07/2006
  Veja Rio  
  Volta ao mundo em 400 filmes  
  http://veja.abril.com.br 12 de julho de 2006 REPORTAGEM DE CAPA Volta ao mundo em 400 filmes A programação do 14º Anima Mundi exibe a produção de quarenta países Rogério Durst Divulgação Minuscule: série francesa sobre o universo de criaturas minúsculas é uma das atrações do festival Veja também O pólo carioca A joaninha acima é a adorável protagonista de um episódio de Minuscule, série de desenhos do francês Thomas Szabo. Atração do Anima Mundi deste ano, Minuscule retrata o cotidiano de diminutas criaturas num universo, claro, minúsculo. Tudo muito diferente das proporções que o festival internacional de animação assumiu nos últimos anos. Depois de receber 60 112 espectadores no Rio no ano passado, o evento chega à edição 2006, a 14ª, na sexta (14), e, ao longo de dez dias, vai exibir 433 filmes de quarenta países, selecionados entre 1 270 títulos inscritos. Divulgação BANQUISE de Cédric Louis e Claude Barras. Suíça, 2006. Estação Botafogo 1, sexta (14), 18h. Entre as atrações escaladas há grandes nomes da animação internacional, como o americano Bill Plympton, cujo amalucado personagem do curta Guide Dog é símbolo do Anima Mundi 2006; a inglesa Joanna Quinn, que comparece com Dreams and Desires – Family Ties; e os estúdios Aardman, Disney e Dreamworks. Ian Mackinon, responsável pelos bonecos do longa A Noiva-Cadáver, de Tim Burton, é convidado para uma sessão de filmes e bate-papo no dia 17 e promete trazer uma de suas criaturas. Para ver isso tudo, o público tem disponíveis seis espaços de exibição, as salas de cinema e vídeo e o Teatro 2 do CCBB, a sala 1 do Estação Botafogo, o enorme Odeon, com 600 lugares, a festiva tenda da Praça Animada, no Centro Cultural Correios, e a Casa França-Brasil funcionando como sede de oficinas e eventos (veja programação em Cinemas). Para os aficionados, o Anima Mundi é como uma Copa do Mundo que acontece todo ano logo ali no Centro da cidade. Só que aqui o Brasil tem participação maiúscula, com 66 filmes selecionados para a final. Do lote nacional se destaca a produção do Rio de Janeiro (veja na reportagem O pólo carioca), com dezoito títulos, incluindo o esperado novo curta de Allan Sieber, Santa de Casa. Divulgação TEM UM DRAGÃO NO MEU BAÚ de Rosaria. Brasil, 2005. Sala de Cinema, CCBB, sábado (15), 14h. O Anima Mundi já foi ainda maior, pelo menos em número de filmes exibidos – chegou a 612 em 2004. Há dois anos, os diretores decidiram tornar mais rigorosa a seleção, mostrar menos títulos e investir na qualidade das programações e na infra-estrutura de exibição. "Desistimos de exibir por exibir", conta César Coelho, responsável pelo festival ao lado de três outros veteranos da animação, Aida Queiroz, Léa Zagury e Marcos Magalhães. "Foi o que ocorreu neste ano com a mostra de longas. A oferta foi mais fraca que em anos anteriores, e decidimos exibir apenas três filmes novos fora de competição e alguns outros títulos em sessões-homenagem." Os longas-metragens selecionados são o infantil nacional Brichos, o dinamarquês Terkel in Trouble e o também nacional, nada infantil, ainda inédito mas já badalado, Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, desenho de Otto Guerra baseado nos quadrinhos de Angeli que já rendeu até prêmio de melhor atriz coadjuvante para Rita Lee, dublando a personagem Rê Bordosa. Divulgação O PRIMEIRO JOÃO de André Castelão. Brasil, 2006. Praça Animada, Centro Cultural Correios, sexta (14), 13h. Nunca é demais frisar que, com seu grande universo de bichinhos em movimento, o Anima Mundi não é coisa de criança. O objetivo do festival é exibir o que há de mais significativo na produção internacional atual de animação, e boa parte disso é de trabalhos com temática para lá de adulta, incluindo sexo, drogas e violência. Mas os menores não têm do que reclamar, já que a edição de 2006 traz uma das melhores seleções infantis dos últimos anos. Entre os internacionais, um grande destaque é o belo e tristíssimo A Vendedora de Fósforos, adaptação do conto de Andersen e canto do cisne do núcleo de animação em 2D (aquela técnica dos desenhos animados tradicionais) dos Estúdios Disney, que está para ser desativado. Entre os brasileiros chama atenção o singelo, e extremamente bem-acabado, primeiro trabalho de Rosaria, Tem um Dragão no Meu Baú. Fora da programação exclusivamente infantil, e recomendadíssimo para as crianças, é obrigatório ver um gracioso exercício de computação gráfica da Dreamworks chamado First Flight, no qual um burocrata infeliz ensina um filhote de passarinho a voar. Divulgação SANTA DE CASA de Allan Sieber. Brasil, 2006. Praça Animada, Centro Cultural Correios, sexta (14), 11h. O já citado Santa de Casa, de Allan Sieber, é uma superprodução, que demorou mais de três anos para ficar pronta, baseada em conto de Aldir Blanc, que participa do "elenco" do curta ao lado de outros personagens cariocas, como Jaguar e Fausto Wolff. Além desses três, que fazem as respectivas vozes, o filme traz na dublagem os atores Tonico Pereira, Antônio Grassi, Stephan Nercessian e Paulo César Pereio e mostra um sofisticadíssimo trabalho na animação de um divertido bloco carnavalesco. Santa de Casa é um dos destaques da seleção nacional deste ano. Há outros, como o ótimo trabalho de estréia de André Castelão, O Primeiro João, sobre um "causo" da juventude do jogador Mané Garrincha, e a impressionante mistura de técnicas, incluindo manipulação de bonecos, de Tyger, de Guilherme Marcondes. Carlos Eduardo Nogueira, destaque em 2004 com Desirella, comparece com um comprido curta, a colorida computação gráfica Yansan. Divulgação KEIN PLATZ FÃœR GEROLD de Daniel Nocke. Alemanha, 2006. Odeon, sexta (14), 15h30. Vitrine e ponto de encontro dos profissionais brasileiros, que vêm em peso para o evento e fazem a festa na Rua Visconde de Itaboraí, aquela que fica entre o CCBB e a Casa França-Brasil, o Anima Mundi é, na opinião de boa parte desses animadores, acima de tudo uma oportunidade única de assistir a produções internacionais que não passam em nenhum outro lugar. Filmes como a produção francesa realizada pela portuguesa Regina Pessoa História Trágica com Final Feliz. Premiado no último festival de animação de Anecy, o mais importante da Europa, o curta em tristonho preto-e-branco conta a história de uma menina com coração e alma de pássaro. A Alemanha comparece com dois daqueles títulos que fazem da animação muito mais do que um programa infantil. Em Kein Platz für Gerold (Não Há Lugar para Gerold), de Nocke, quatro amigos que dividem um apartamento, um rinoceronte, um hipopótamo, um jacaré e uma corça animados por computador, discutem a relação na mesa da cozinha. Já Mr. Schwartz, Mr. Hazen & Mr. Horlocker, de Stefan Mueller, é um hilariante flagrante de sadomasoquismo, tráfico e consumo de drogas num pacato prédio de apartamentos. Divulgação YANSAN de Carlos Eduardo Nogueira. Brasil, 2006. Estação Botafogo 1, sexta (14), 16h. Também vem da Alemanha o esquisitão Apple on a Tree, de Astrid Rieger e Zeljko Vidovic, em que atores inseridos no computador fazem o papel de nuvens, árvores, grama e frutas. Da Suíça vem Banquise, de Cédric Louis e Claude Barras, delicada animação de recorte em computador na qual uma menina sonha viver num lugar frio. O sueco Never Like the First Time! (Aldrig Som Först a Gângen!), de Jonas Odell, é um incomum documentário em que pessoas contam sua experiência com a primeira relação sexual, uma aventurosa, uma violenta, uma melancólica e uma romântica, que são animadas cada uma com forma e técnica diferentes. Strom, produção da República Checa realizada por David Sukup, é um dos vários filmes deste ano que revivem uma técnica até pouco tempo atrás quase em desuso, o pixilation, ou seja, animação quadro a quadro de atores. Uma comédia maluca em que dois lenhadores disputam o direito de cortar uma árvore. Divulgação A VENDEDORA DE FÓSFOROS de Roger Allers. EUA, 2006. Praça Animada, Centro Cultural Correios, sexta (14), 15h. Para os curiosos, outra forma de aproveitar o festival é conferir a produção de países sem tradição na área – que têm presença significativa neste ano. É o caso do México, que traz como maior atração El Octavo Dia, la Creación, de Juan J. Medina e Rita Basulto, produção do diretor de cinema Guillermo del Toro (de Blade 2 e Hellboy). Bem ao estilo que caracteriza o diretor, a história de animação de bonecos traz um deus bizarro dando vida a monstros no início da criação. A Estônia, ex-república da URSS, comparece com três filmes, incluindo o simpático infantil A Cobrinha Míope. Divulgação DREAMS AND DESIRES – FAMILY TIES de Joanna Quinn. Inglaterra, 2006.Odeon, sexta (14), 12 horas. E, como já é tradição, o Anima Mundi mostra a fita vencedora do Oscar de curta-metragem do ano passado, The Moon and the Son, de Jonh Canemaker e Peggy Stern. "Desde o primeiro festival, em 1993, sempre conseguimos exibir o vencedor do Oscar de curta e outros indicados ao prêmio", conta o diretor César Coelho." Às vezes, também, o Anima Mundi dá ao espectador o privilégio de assistir a um filme antes de seu estouro mundo afora. Foi o caso, logo na primeira edição, de Wallace & Gromit in Wrong Trousers, que ganhou o Oscar no ano seguinte. A situação se repetiu em 2001 com For the Birds, premiado no festival e ganhador do Oscar em 2002. Será que o vencedor do Oscar de 2007 está no próximo Anima Mundi? "A Vendedora de Fósforos, da Disney, e First Flight, da Dreamworks, têm grande chance. Mas, como Oscar de curtas de animação não é tão politizado como o de longa e, normalmente, o resultado se baseia mais em qualidade, eu preferiria apostar minhas fichas nos ótimos História Trágica com Final Feliz, da portuguesa Regina Pessoa, e Dreams and Desires – Family Ties, da britânica Joanna Quinn", diz César. Bom programa. Divulgação TYGER de Guilherme Marcondes. Brasil, 2006.Estação Botafogo 1, sexta (14), 18 horas. Divulgação MR. SCHWARTZ, MR. HAZEN & MR. HORLOCKER de Stefan Mueller. Alemanha, 2006. Estação Botafogo 1, sexta (14), 20 horas.

 
  12/07/2006
  O Dia Online  
  ...Um dos mais aguardados do Anima Mundi  
  ‘Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll’ é um dos mais aguardados do Anima Mundi Rio - Contemplado no Festival Cine PE, em Recife, com o prêmio especial do júri, o de melhor trilha e o de atriz coadjuvante, para Rita Lee, que dublou Rê Bordosa, ‘Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll’, de Otto Guerra, é uma das animações mais aguardadas do Anima Mundi, que começa nesta sexta-feira. Quando soube que o longa com personagens criados por ele, tinha recebido classificação indicativa para 18 anos, o quadrinista Angeli comemorou. "Eu falei: ‘Ah, que legal!’, e a produtora: ‘Legal nada, a gente vai perder boa parcela do público!’, e eu: ‘Ah, é’", conta. Na história, os hippies cinqüentões Wood e Stock tentam retomar sua banda dos anos 70, hoje chamada Chiqueiro Elétrico, com o porco Sunshine no vocal. A também louca Rê Bordosa, que nas histórias de Angeli nunca encontrou os personagens, ressuscita e participa do longa em cenas de puro sexo, que contribuíram em larga escala para a classificação do filme, para surpresa da equipe. "Cidade de Deus, por exemplo, tem drogas, tiro nas crianças, e recebeu classificação para 16 anos", analisa o diretor Otto Guerra. "Dizem que o filme faz apologia à s drogas, mas pelo contrário: são dois velhos decadentes seqüelados pelas drogas", diverte-se. Com a restrição, muitos fãs de Angeli ficam impedidos de assistir ao longa. “A classificação para 18 anos é a única que não permite que a faixa anterior assista ao filme, nem acompanhada dos paisâ€?, lamenta a produtora Marta Machado. A Otto Desenhos entrou com um pedido de reconsideração, na tentativa de mudar a decisão. “Os critérios são objetivos, mas a classificação tem muito de subjetivo. Depende de quem assiste, se é mais conservador ou nãoâ€?, explica Marta. A história, no entanto, teve um lado positivo. “A polêmica atraiu a mídiaâ€?, diz Otto. “Fiquei orgulhosoâ€?, diverte-se. “É bom se sentir transgressorâ€?, concorda Angeli.

 
  11/07/2006
  Tribuna da Imprensa On Line - www.tribuna.inf.br  
  Pérolas da animação  
  Pérolas da animação Festival Anima Mundi começa na próxima sexta reunindo 433 filmes de 40 países Daniel Schenker Wajnberg Há 14 anos, os organizadores do festival Anima Mundi vêm descortinando o vasto mundo do cinema de animação. A cada nova edição, os espectadores são apresentados ao processo de concepção dos filmes através de oficinas e workshops e também da apreciação dos mais importantes exemplares realizados no gênero tanto em esfera nacional quanto internacional. A partir da próxima sexta-feira, o Anima Mundi abre sua programação composta por 433 trabalhos oriundos de 40 países diferentes, todos ocupando o Centro Cultural Banco do Brasil, o Centro Cultural Correios, a Casa França Brasil, o cine Odeon BR e o Estação Botafogo. Entre os filmes brasileiros, os destaques recaem sobre "Brichos", "Wood & Stock: sexo, orégano e rock'n roll" e "Santa de casa". Os dois primeiros são longas de animação, formato que deve ser cada vez mais exercitado pelos diretores e o terceiro, o aguardado novo curta de Allan Sieber, um dos principais nomes da área. "Acho que ainda existe um desconhecimento em relação ao produto de animação. O mercado tem uma mentalidade muito imediatista sem notar talvez que a animação tem uma vida útil maior porque pode ser veiculada em canais infantis e utilizada de forma didática em escolas", destaca Marcos Magalhães, responsável pelo festival ao lado de Aída Queiroz, Léa Zagury e César Coelho. Ao contrário do que se pensava anteriormente, o cinema de animação não é destinado tão-somente a um público-alvo específico. A maior parte das produções encanta os adultos e algumas delas são destinadas a eles. "Estamos trazendo a mostra `Spike & Mike', que, nos Estados Unidos e no Canadá, era tida como underground. São trabalhos `ultrajantes', que lidam com o erotismo, a escatologia, a violência, o humor negro ou alguma outra transgressão", informa Marcos, que, em edições anteriores do festival, brindou o público com uma mostra especial de filmes eróticos. Infinito leque de opções Parte da programação do Anima Mundi evidencia que, ultimamente, o mundo não anda para brincadeira. Há filmes sobre exploração sexual e outros ainda influenciados pelo terrorismo pós-11 de setembro. "Mas muitos abordam assuntos sérios com leveza. Humor é inversão de expectativa. E como em animação toda expectativa pode ser subvertida...", sugere Marcos, lembrando que a animação também favorece a experimentação. "Existe a animação clássica e aquela que usa todas as referências do cartoon. Na verdade, um filme de animação proporciona um leque infinito de opções. `Tyger', de Guilherme Marcondes, investe na pesquisa de linguagens, misturando técnicas diversas mas sem sobrepô-las apenas. Os diretores não se limitam mais a fazer demonstrações técnicas", afirma. De acordo com Marcos Magalhães, as inovações tecnológicas não vêm artificializando e nem prejudicando a feitura artesanal das animações. "Hoje em dia um filme só resultará artificial se assim for desejado. Virou uma questão conceitual. A tecnologia e a computação protegem o artesanal porque eventuais erros podem sempre ser corrigidos", diz Marcos. Os espectadores poderão constatar o progresso do cinema de animação assistindo aos próprios filmes e entrando em contato, particularmente, com destaques da área, como Bill Plympton - criador da personagem Cão de Guarda, utilizado na vinheta do festival -, Joanna Quinn e Ian Mackinon. Alguns destaques "The moon and the son" (EUA) - De John Canemaker e Peggy Stern Filme autobiográfico sobre a relação turbulenta do animador com seu pai, um explosivo imigrante italiano. Vencedor do Oscar 2006. "John and Michael" (Canadá) - De Shira Avni História de dois homens com Síndrome de Down que desenvolvem uma relação de intimidade e amor, que se estende para além da morte. "Wood & Stock: sexo, orégano e rock'n'roll" (Brasil) - De Otto Guerra Depois de fumar todo o orégano da dispensa, Wood e Stock decidem retomar a velha banda Chiqueiro Elétrico. Mas em vez de encontrarem a fama, eles se deparam com figuras do passado como Rê Barbosa e Rampal. "Brichos" (Brasil) - De Paulo Munhoz Tales, Jairzinho e Bandeira - filhotes de jaguar, quati e tamanduá - participam de um campeonato internacional de jogos. A aventura os leva a uma grande descoberta. "História trágica com final feliz" (Canadá/França/Portugal) - De Regina Pessoa Algumas pessoas são diferentes das outras, quando tudo o que querem é ser iguais. Há pessoas que passam a vida toda escondendo suas diferenças enquanto outras assumem sua originalidade... Premiado no Festival de Anecy. "Santa de casa" (Brasil) - De Allan Sieber A filha de Oséias e Cleusa nasceu prematura. Oséias fez uma promessa: se a filha sobrevivesse ela se chamaria Aparecida, ele pararia de fumar e durante três anos ela sairia vestida de santa no carnaval. "Tyger" (Brasil) - De Guilherme Marcondes Um enorme tigre aparece misteriosamente numa grande cidade. Ele vai revelar a realidade escondida numa noite que poderia ter sido como qualquer outra.

 
  19/06/2006
  Jornal O Tempo - Minas Gerais  
  “Wood & Stockâ€? se exibem em Ouro Preto  
  OURO PRETO – Depois de uma festinha regada a sexo, drogas e rock n’roll, em pleno anos 1970, os hippies Wood e Stock são jogados numa viagem do tempo, que os leva ao mundo de hoje. Que susto ver que todo aquele ideal de paz e amor, que permeou a juventude da dupla, se tornou algo antiquado!... Para superar o “horrorâ€? do século XXI, eles tentam reaver seu inconformismo com uma banda de rock. No meio do caminho, Rê Bordosa, Skrotinhos, Nanico e Meiaoito, entre outros personagens também nascidos da mente do cartunista Angeli. Essa história insólita está no longa “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock n’Rollâ€?, exibido na noite de anteontem na I Mostra de Cinema de Ouro Preto – Cineop. Segundo longa-metragem de Otto Guerra (o primeiro foi “Rock & Hudson: Os Caubóis Gaysâ€?), o filme só havia sido exibido anteriormente em duas ocasiões – no Cine Ceará e no Festival Cine-PE, em Recife, onde recebeu o estranho prêmio de melhor atriz coadjuvante para Rê Bordosa (com a voz de Rita Lee) e o prêmio especial do júri. Com orçamento de R$ 1,2 milhão, a data de seu lançamento ainda é indefinida. Se não for selecionado para o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, estréia em 25 de agosto no Rio Grande do Sul com dez cópias. Depois viaja São Paulo, Rio, Brasília e, finalmente, Belo Horizonte. Confira a entrevista com o cineasta Otto Guerra – que já está preparando um novo longa, chamado “Fuga em Ré Menorâ€? – sobre o processo de realização de “Wood & Stockâ€?. O TEMPO – Por que o filme está demorando tanto para chegar aos cinemas? Otto Guerra – Alguns festivais do Brasil pedem para que o filme não tenha estreado comercialmente para poder passar em sua programação. Se lançarmos antes, o filme fica impedido de passar em festivais, que oferecem uma puta mídia. As pessoas me perguntam: ’Bah! Mas quando chega o filme?’, porém é melhor segurar um pouco, numa hora em que tiver ganhado milhares de prêmios... (risos) Tem uma data de 25 de agosto, mas não está confirmada ainda. Lançar um longa-metragem no Brasil é difícil. Se for de animação, mais ainda. Tem sido complicado o processo de fazer esse cinema? Tenho uma produtora e há 20 anos atrás fazia tudo eu mesmo. Atualmente tenho uma equipe, uma gurizada muito a fim e animada, e acaba sendo um prazer fazer um filme como o “Wood & Stockâ€?, que é uma brincadeira em cima de personagens que eu gosto. Tem um animador que é evangélico, não gostou da história com drogas, e nem assistiu ao filme. O cara animou o filme e não viu, é incrível... O momento para o cinema é de alta, estamos numa hora boa, aguardando a fase ruim de novo, porque sabemos que existe altos e baixos. Tá fluindo, mas ainda está meio difícil para os filmes encontrarem seu público. Fazer filme para mil, 5.000 pessoas, não compensa. Mas animação tem público, né, porque muitos desenhos animados estrangeiros chegam ao Brasil e fazem bastante sucesso, grandes bilheterias... Os filmes norte-americanos, sim, como “A Era do Geloâ€?, “Os Incríveisâ€?, “A Noiva Cadáverâ€?. Mas o “Bob Esponjaâ€? não deu público, embora seja um personagem já consagrado. Na verdade, o número de pessoas que vêem um filme é sempre imponderável. “Wood & Stockâ€? pegou a princípio uma censura de 18 anos, e entramos com advogada, pedindo para baixar para 16 anos. Conseguimos, porque o filme não tem nada de violento ou pornográfico. Tem uma linguagem chula e orégano, pois eles não fumam maconha, mas orégano. Já está de bom tamanho, porque com a censura de 16 anos, pode ir maior de 14 anos acompanhado dos pais. Com 18 anos, menor de idade não pode ir nem acompanhado. Tem chance, então, de ter um público maior. A idéia é fazer um filme que seja pop, que as pessoas vejam e digam para as outras assistirem. Acredito muito no boca a boca. “O Código da Vinciâ€?, por exemplo, começou com público enorme e o boca a boca detonou o filme, porque é ruim. As pessoas não são burras. Elas não vão gastar R$ 12 para ver um filme ruim. “Wood & Stockâ€?, pelo que aconteceu em Recife e Fortaleza, as duas primeiras exibições, deu para ver que ele tem apelo popular, o que é multiplicador. Você falou que o público é imponderável para o cinema nacional, mas para você provavelmente será ainda mais difícil, porque não temos longas de animação para adultos e não dá para quantificar o público para esse gênero. É um desafio? Não tem no mundo, o que existe é muito pouco, apesar de eu achar que o “Bob Esponjaâ€? é filme feito para adultos. Assim como “Shrekâ€? que tem um humor que funciona para todas as idades. Não diria que “Wood & Stockâ€? é para adulto. O filme é feito para adultos como eu, debilóide. É para um adulto jovem. Vindo pra cá, li uma matéria na “Carta Capitalâ€? sobre o fato de que todos querem ter 20 anos. As pessoas de 50, 60 anos, até 10, 15 anos, todos querem ter 20. E o filme tem um humor de quem tem 20 anos, com ideal humano, vitalidade, saúde. Como foi a parceria com Angeli? Angeli é um cara muito difícil. A sorte é que eu sou amigo dele há uns 15 anos. Por isso, colaborou bastante. Mas ele é um cara que não delega, que deseja os próprios quadrinhos. Ele não tem equipe, desenha tudo. O Angeli poderia ter merchandising, bonequinhos dos personagens, mas ele nunca topou. Tanto que ele matou a sua principal personagem, Rê Bordosa, no momento em que ela fazia um grande sucesso... Ele é um cara que não está interessado nisso, não que não queira ganhar dinheiro, mas é preocupado com trabalho dele. Foi um risco para ele. Tanto que o Angeli falou: “O desenho vai ficar ficar um pouco diferenteâ€?. Óbvio que ficaria, afinal, é animação. Então ele disse: “Não sei, vai ser meio Turma da Mônica?â€? (risos) Mas daí ele viu o filme e ficou muito feliz, tanto que ele foi em Recife falar sobre o filme. A gurizada ficou louca, falando “nossa, o cara existe mesmo, não é uma lenda!â€? Como foi a construção do roteiro? Difícil. O trabalho do cara está nas piadinhas em tirinhas e tivemos de adaptar a partir de trechinhos. E a Rê Bordosa nunca interage com Wood e Stock e os outros personagens. Por isso, tivemos uma demanda de dois ou três anos para escrever e reescrever o roteiro. O Angeli mandou a coleção inteira do “Chiclete com Bananaâ€? (nome da tirinha de Angeli, publicada na “Folha de S. Pauloâ€?) e lemos tudo. O cara que fez a direção de arte (Jack Kaminski) ficou um ano só trabalhando o desenho do cara, a ponto de enlouquecer e dizer “eu não sou eu!â€?, falando que já era o Angeli. Existiu uma preocupação em contextualizar os personagens, para que as pessoas que não os conhecem consigam acompanhar o filme? Mesmo quem não conhece os personagens entende tudo. Eles são apresentados ao longo do filme. Vi uma menina em Recife que não conhecia os personagens, mas ficou louca para saber mais depois de ver o longa-metragem. A repórter viajou a convite do evento

 
  06/06/2006
  site http://www.cinemacomrapadura.com.br/cineceara  
  Wood & Stock agita o Cine São Luiz  
  O finalzinho da tarde de domingo surpreendeu pela presença do público, visto que domingos geralmente são tirados para ficar em casa e fazer aqueles mesmos programas de sempre. Mas parece que os cearenses mudaram a rotina e foram prestigiar a programação do 16° Cine Ceará no São Luiz, que começou com a Première Fortaleza com a animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock ‘n’ Roll, que arrancou aplausos incansáveis da platéia que ocupou praticamente todos os assentos da sala de projeção. Wood & Stock é a mais recente produção da Otto Desenhos Animados, do diretor Otto Guerra em parceria com a Snif Snif Filmes, sendo baseado nas aventuras dos personagens criados pelo cartunista Angeli nos anos 80. O filme de 81 minutos começa com uma festa em 1972, mostrando uma festa hippie e os costumes dos jovens da época, que acaba pulando trinta anos depois, onde Wood tem uma família construída e abriga Stock, seu amigo de longas datas, um futuro diferente de tudo que ele e os outros personagens imaginavam que teriam. Ao lado dos personagens principais, aqueles que poderíamos chamar de coadjuvantes, mas seria dar menos importância, o que não acontece na produção, desenvolvem suas histórias próprias, baseadas em um humor particularmente trabalhado e baseado nas histórias de Angeli. Os eternos hippies Wood e Stock vivem uma aventura para retomar uma banda de rock que fracassara nos anos 70 e faz uma crítica sarcástica ao que vivemos atualmente no mundo globalizado. Foi a segunda vez que Wood & Stock foi exibido no Brasil e demonstrou seu potencial para invadir o mercado nacional e agradar o público adolescente e adulto, para o qual o filme é direcionado. Premiado no programa de filmes de baixo orçamento do Ministério da Cultura, o longa-metragem entra na lista dos filmes brasileiros independentes que sofrem as dificuldades óbvias para produzir e se lançar na mídia. Mesmo assim, Otto e sua equipe decidiu tocar o projeto que já vinha sendo pensado há dez anos e posto em prática há cinco. Em entrevista exclusiva ao CCR, a produtora Marta Machado relembra as dificuldades que foram enfrentadas neste tempo que o filme foi pensado até ser concluído. “A gente enfrentou muitos problemas, desde os direitos autorais das músicas, como as canções dos Mutantes que iríamos usar e acabou nem dando certo, até captação mesmo, porque enfim o filme fala de sexo, drogas e rock ‘n’ roll e não é uma temática que atraia muitos gerentes de marketing das empresas. O filme se viabilizou mesmo em função de fundos e seleções públicas, não pelo interesse de um patrocinador para associar o nome ao projeto. Foram esses tipos de seleções onde o critério é do júri, usando um critério mais cinematográfico e em função disso acabamos dando duro para financiar o filme, mas em compensação, do ponto de vista técnico teve um grande envolvimento dos animadores, dos layoutista, diretor de arte, do pessoal da pintura, todos se envolveram muito com o filme.â€? A produtora declarou que este era o primeiro longa que esta equipe estava realizando e o processo de parceria foi o fundamental para que o projeto desse certo, principalmente com Angeli, que cedeu os personagens e deu liberdade para a equipe trabalhar como queria em cima deles, e a maior recompensa foi a satisfação do cartunista. “Passamos cinco anos trabalhando e quando mostramos o resultado para ele, ele ficou muito feliz. Tem coisas no filme que são piadas dele, muita coisa foi tirada dos quadrinhos, então tem muitas piadas que estão mistas de um outro ponto de vista que é o ponto de vista da animação e ele ficou muito feliz. Isso para gente já foi o máximo porque é difícil trabalhar com uma obra de autor, é difícil de adaptar as coisas, pois sempre entramos numa seara do ego, do processo de criação, mas tivemos muita sorte, pois a pessoa que fez os layouts, o diretor de arte, Jack Kaminski, mergulhou na obra do Angeli, para transpor mesmo o quadrinho para o cinema de animação. O filme tem muitos erros, tem muitos problemas, momentos mais lentos, mas essencialmente ele é feito com muito tesão,â€? declarou Marta. A exibição de Wood & Stock rendeu aplausos quase inacabáveis e trouxe gratificação para Marta e Otto Guerra, que estavam presentes no São Luiz e planejam fazer uma campanha intensa da animação para que, quando for lançado no circuito nacional, no dia 25 de agosto, seja sucesso completo. “É um processo de divulgação cuidadoso e um super envolvimento e dá muito trabalho. O que acontece com o cinema nacional é que os filmes entram em circuito e as pessoas nem sabem, pois ele entra e sai e ninguém vai saber que passou pela cidade dele. A gente está se preocupando muito, por isso que estamos dando um prazo para lançar. Vamos lançar em agosto, então queremos trabalhar na divulgação e se as pessoas não forem é porque elas não querem e não porque não sabem e isso acontece muito com o cinema nacional, a pessoa não vai porque não sabe do que se trata o filme e, para isso, precisa-se de grana, mas ou você tem muita grana ou soluções ou saídas pensadas e elaboradas. Como não temos dinheiro, a gente tem que ir por esse caminho de pensar e repensar e divulgar, trabalhar muito o filme antes que entre no circuito comercial que é para as pessoas saberem que ele existe, qual é a história, por que elas estão indo verâ€?, finalizou a produtora.

 
  15/05/2006
  www.avoid.com.br  
  SEXO, ORéGANO E ROCK  
  Muita gente não sabe, mas aqui no RS, precisamente na capital, existe a Otto Desenhos Animados, produtora de animações do diretor gaúcho Otto Guerra, que teve inúmeros curtas premiados em Gramado e no exterior.Bem antes de Brokeback Mountain, Otto já havia transposto para as telas o desenho Rocky & Rudson - Os Cowboys Gays, do, também gaúcho, Adão. Há mais ou menos cinco anos atrás, tive a oportunidade de conhecê-lo em seu estúdio e ver o seu projeto em andamento do trash Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock\'n roll. Ganhei um souvenir escepcional: um acetato (um quadro do filme) do longa dos cowboys gays, que guardo como jóia. Ah, e uma fita VHS de três curtas. Uma figura peculiar e simpatissíssima, Otto me mostrou seu maquinário e até me emprestou um CD.A Otto Desenhos Animados terminou seu novo filme, Wood & Stock, em dezembro de 2005 e, entre correções, acabaram com a cópia pronta uma semana antes do Festival de Pernambuco. O projeto estava há dez anos em produção, desde a idéia original, de um processo super lento e complicado. Isso, porque o desenho fala de sexo e drogas. Fato que deixa o longa em posição desfavorável de conseguir patrocínio. A grande questão é captar o dinheiro necessário. O filme tem este nome, \"Sexo, Orégano e Rock\'n roll\". Com a palavra \"sexo\" no título, 90% dos possíveis patrocinadores não querem investir, pelo puritanismo idiota de que remeta à pornografia. Impasse que fez o longa-metragem demorar dois anos a mais para adquirir todo o orçamento, que foi em torno de um milhão e dez mil reais. Passaram um bom pedaço para produzir, tiveram algumas picuinhas, mas o filme ficou do jeito que queriam. Tirando uma única sessão aqui no sul ano passado, Recife foi o primeiro festival que o filme passou e competiu. No Cine Teatro dos Guararapes, a animação foi muito bem recebida e aplaudidíssima.O filme é uma adaptação dos personegens do cartunista Angeli (alguém lembra da revista Chiclete com Banana?) para o cinema. Tem piadas das tiras, mas também uma história e narrativa girando em volta de Wood e Stock, dois velhos hippies em choque com a vida contemporânea. Wood casou e tem um filho, Overal, que é um gurizinho super certinho, careta e nerd que morre de vergonha dos pais por serem velhos hippies. O pai de Stock morre e ele acaba despejado por não receber mais a mesada e aí, vai morar na casa de Wood onde decidem remontar uma banda que tinham nos anos 70 e tentam inscrevê-la num concurso de rock. São as peripécias deles diante deste contexto maluco cujo filho fica dizendo \"Pô, pai, quando é que você vai arrumar um emprego? Quando você vai cortar esse cabelo?\" Enfim, são Wood e Stock tentando sobreviver nesta velocidade da vida moderna, completamente fora do espírito deles e mais vários personagens do Angeli que foram sendo costurados numa colcha de retalhos muito competente feita pelo roteirista Rodrigo John, que é daqui também (ele fez o premiado curta \"O Limpador de Chaminés\").Destaque para Rita Lee, que venceu como atriz coadjuvante pela interpretação da voz (dublando a personagem Rê Bordosa, que é praticamente ela mesma) no Festival de Recife. Prêmio esta, que gerou uma polêmica; é inédito isso. Nunca houve um prêmio de atriz coadjuvante em desenho animado no Brasil. Até porque pouquíssimos filmes de animação chegam a algum festival aqui. Algumas pessoas do júri contestaram veemente e a crítica caiu de pau em cima. \"O prêmio que ninguém entendeu\", teria dito a extremamente conservadora e jactanciosa crítica. E mais, o Ministério da Justiça classificou o filme para maiores de 18 anos. Menores somente acompanhados pelos pais. Censura igualmente filha da puta. Concluindo, há duas músicas da cantora na trilha, que também conta com o conterrâneo e magnífico Júpiter Maçã.\"Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock\'n roll\" entrará em cartaz, a princípio, dia 25 de agosto em POA e região metropolitana. Sujeito à alterações. Quem quiser assistir um trecho do filme pode entrar no site: www.woodstock.etc.br

 
  12/05/2006
  O Dia Online  
  Quadrinhos só para maiores  
  Rê Bordosa rouba a cena em ‘Wood & Stock’, baseado nos quadrinhos de Angeli. Mas cenas de sexo da personagem fazem filme ser classificado para 18 anos e equipe protesta Rio - Quando soube que o longa ‘Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll’, com personagens criados por ele, tinha recebido classificação indicativa para 18 anos, o quadrinista Angeli comemorou. “Eu falei: ‘Ah, que legal!’, e a produtora: ‘Legal nada, a gente vai perder boa parcela do público!’, e eu: ‘Ah, é’â€?, conta. Na história, os hippies cinqüentões Wood e Stock tentam retomar sua banda dos anos 70, hoje chamada Chiqueiro Elétrico, com o porco Sunshine no vocal. A também louca Rê Bordosa, que nas histórias de Angeli nunca encontrou os personagens, ressuscita e participa do longa em cenas de puro sexo, que contribuíram em larga escala para a classificação do filme, para surpresa da equipe. “‘Cidade de Deus’, por exemplo, tem drogas, tiro nas crianças, e recebeu classificação para 16 anosâ€?, analisa o diretor Otto Guerra. “Dizem que o filme faz apologia à s drogas, mas pelo contrário: são dois velhos decadentes seqüelados pelas drogasâ€?, diverte-se. Com a restrição, muitos fãs de Angeli ficam impedidos de assistir ao longa. “A classificação para 18 anos é a única que não permite que a faixa anterior assista ao filme, nem acompanhada dos paisâ€?, lamenta a produtora Marta Machado. A Otto Desenhos entrou com um pedido de reconsideração, na tentativa de mudar a decisão. “Os critérios são objetivos, mas a classificação tem muito de subjetivo. Depende de quem assiste, se é mais conservador ou nãoâ€?, explica Marta. A história, no entanto, teve um lado positivo. “A polêmica atraiu a mídiaâ€?, diz Otto. “Fiquei orgulhosoâ€?, diverte-se. “É bom se sentir transgressorâ€?, concorda Angeli.

 
  25/04/2006
  Zero Hora  
  Proibida para Menores  
  A primeira animação em longa-metragem proibida para menores de 18 anos realizada no Brasil fez sua estréia nacional sob aplausos e gargalhadas. E voltou para casa com três prêmios no 10º Cine PE, o Festival de Cinema de Recife,encerrado no sábado. O mais inusitado troféu de Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, dirigido pelo gaúcho Otto Guerra, foi o de melhor atriz coadjuvante para a cantora Rita Lee, que emprestou a voz para a hippie doidona Rê Bordosa. Foi um dos três prêmios do longa no festival, que elegeu também o gaúcho Gustavo Spolidoro como o melhor diretor na competição de curtas. - Teve gente dizendo que ninguém entendeu esse prêmio, mas entenderam sim. A intenção do júri foi entrar na brincadeira de Wood & Stock, premiar o humor do filme e a trajetória desse personagens,e não seguir a lógica tradicional da premiações - diz a produtora Marta Machado. Wood & Stock é uma adaptação das histórias em quadrinhos criadas por Angeli, com roteiro de Rodrigo John. Na trama, os hippies cinqüentões Wood e Stock sonham em reativar a velha banda de rock dos anos 70. A parceira da aventura é Rê Bordosa, que havia morrido nas HQs mas ressuscitou após cheirar formol no necrotério. O filme também ganhou o troféu Calunga de trilha sonora e o prêmio especial do júri, dividido com o documentário carioca Pro Dia Nascer Feliz, de João Jardim. Quando subiu ao palco, Marta foi irônica ao dedicar o prêmio pela trilha a Sérgio Dias, ex-integrante dos Mutantes. - O roteiro foi escrito inspirado em músicas dos Mutantes. Negociamos até o último momento esperando uma resposta positiva, mas no final ele pediu muita grana. Tivemos de repensar a históriae adaptar outras músicas - explica Marta. - Já a Rita Lee foi muito bacana. Além de dublar a Rê Bordosa, cedeu canções e nem queria cobrar nada. No fim, pediu para fazermos uma doação para um abrigo de cães de rua. O longa carioca Ã?rido Movie, do pernambucano Lírio Ferreira, sobre a jornada de um apresentador de TV que sai de São Paulo e volta ao interior de Pernambuco para enterrar o pai assassinado, foi o grande vencedor do festival, com seis prêmios, entre eles melhor filme e direção (veja ao lado os principais premiados). Principais premiados em longa-metragem Melhor filme: Ã?rido Movie, de Lírio Ferreira Diretor: Lírio Ferreira Ator: Matheus Nachtergaele (Tapete Vermelho) Atriz: Gorete Milagres (Tapete Vermelho) Ator coadjuvante: Selton Mello (Ã?rido Movie) Atriz coadjuvante: Rita Lee (voz em Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock'n'Roll)Roteiro: Rosa Nepomuceno e LuisAlberto Pereira (Tapete Vermelho) Montagem: Vânia Debs (Ã?rido Movie) Prêmio Especial do Júri: Pro dia Nascer Feliz e Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock N'Roll Prêmio Especial da Crítica: Ã?rido Movie

 
  20/04/2006
  Jornal O Estado de São Paulo  
  Wood&Stock leva platéia do Cine-PE a rir e aplaud  
  Wood&Stock leva platéia do Cine-PE a rir e aplaudir Tiras de Angeli inspiram os muitos momentos criativos da animação longa de Otto Guerra, Wood&Stock, Sexo Orégano e Rock n´ Roll Luiz Carlos Merten RECIFE - Pode ser efeito da comida, do clima, mas a libido anda solta no 10.º Cine PE - Festival do Audiovisual de Pernambuco. Após a orgia do vídeo O Diabo no Copo de Leite, segunda à noite, na terça chegou o curta, em competição, Deu no Jornal, de Yanko del Pino. O verbo ´Deu´, no título, indica aquilo mesmo que você está pensando. O diretor faz uma montagem de anúncios de acompanhantes publicados em jornais. Morena isso, loira aquilo, nissei, coroa - seguem-se as especificações e as habilidades de cada uma. A montagem vai num crescendo que simula o sexo, com direito a gemidos na trilha sonora, e acaba numa ejaculação. Esse Yanko não é mole. Veio em seguida, também na competição, Vermelho Rubro no Céu da Boca, de Sofia Federico, cujos méritos se resumem à fotografia de Antônio Luiz Mendes e à bela locação em que se passa a história do velho e da garota separados por um rio, que representa o tempo, e as rosas que ele lança à s águas na tentativa de seduzi-la. Animação pesada e underground Adeus aos curtas de terça, que não deixaram saudade, e instalou-se a competição com o filme gaúcho - perdão, brasileiro - Wood&Stock, Sexo Orégano e Rock n´ Roll, de Otto Guerra. É uma animação, gênero pouco contemplado pelo cinema brasileiro, exceto nos curtas. A animação longa é que é rara e mais raro ainda é que integre a mostra competitiva de um festival como o do Recife. Otto subiu ao palco do Cine-Teatro Guararapes para dizer que estava nervoso, ansioso, mas, enfim, se o filme não fosse bem recebido pelo público ele sempre poderia tentar a sorte em Gramado. Otto Guerra é a prova de que santo de casa não faz milagre. Suas animações passam meio que em brancas nuvens em Gramado. No Recife, viram a festa do público. Arraial, que ele fez para o projeto coletivo Sete Vezes Canudos, teve muitos aplausos no festival da serra gaúcha. No Recife, recebeu verdadeira consagração. A cena repetiu-se com Wood&Stock. O filme foi o mais aplaudido, até agora. Você pode achar que ele é longo, com problemas de ritmo, mas a história adaptada das tiras com os velhos hippies criadas por Angeli - que veio prestigiar a exibição - tem momentos criativos e provocativos e a platéia tinha engasgos de tanto rir. Personagens definidos como corretamente impolíticos, Wood e Stock estrelam uma animação pesada e underground, nos antípodas (no traço e no conteúdo) daquilo que faz a Disney, por exemplo. A montadora que acompanhava o diretor no palco fez a ressalva - o filme ganhou censura até 18 anos. Pediu aos menores desacompanhados que saíssem da sala. A garotada vibrou. Era o filme que queriam ver. Há até uma piada sobre isso em Wood&Stock. Um amiguinho chega para o filho do hippie transviado e pergunta se é verdade que, na casa dele, vive todo mundo nu. O pirralho responde amuado que é verdade, pressentindo o deboche. O outro dispara: "Cool, posso morar com vocês?" O público ainda ria das piadas de Wood&Stock quando começou, imediatamente a seguir, o documentário que Evaldo Mocarzel, o diretor de Do Luto à Luta e À Margem do Concreto, realizou sobre o Congresso Brasileiro de Cinema, o CBC, que ocorreu no Recife, em dezembro, para discutir as grandes questões do cinema no País. Mocarzel fez um filme de montagem cujo fio condutor é uma apresentação da Banda Sinfônica do Recife, conduzida pelo maestro Nenéu Liberalquino. O maestro é anão e Mocarzel o transforma numa metáfora do próprio cinema brasileiro, que é grande, apesar da pouca estatura no próprio mercado. O filme tem um conceito forte. Discute tudo, do mercado à s fontes de financiamento. Mocarzel tinha uma pedreira nas mãos. Tirou dela um filme (em digital) que vai além do institucional. Basta comparar com Fora do Eixo, vídeo de Kátia Mezel, também visto no Recife, que discute as mesmas questões, mas sem a mesma força do de Mocarzel.

 
  19/04/2006
  http://cinema.uol.com.br/ultnot/2006/04/19/ult26u2  
  Angeli e "Wood & Stock" animam Festival de Cinema  
  RECIFE (Reuters) - A terceira noite do Cine PE -- Festival do Audiovisual, na terça-feira, foi toda da animação e sem nenhum espírito infantil nem de Walt Disney. A começar pela grande atração da mostra competitiva, "Wood & Stock -- Sexo, Orégano e Rock'n' Roll", do diretor gaúcho Otto Guerra, a partir de personagens do quadrinhista paulistano Angeli. O desenho animado para adultos, que mistura sotaques, gírias e detalhes urbanos tanto de São Paulo quanto do Rio Grande do Sul, mostrou-se no final um produto divertido para platéias de todo o país -- prova disso foi a estrondosa recepção do jovem público pernambucano. Presente à sessão, Angeli fez jus ao espírito iconoclasta de seus personagens, como Wood, Stock, Rê Bordosa, Lady Jane, Rhalah Rikota, Nanico e Meia-oito. Disse ter acompanhado o processo de adaptação de seus quadrinhos ao cinema sempre com comentários do tipo: "Isso eu nunca faria". Ao final, arrematou: "Era melhor que eu fosse um autor morto. Afinal, autor morto não reclama!". Demonstrando um espírito tão irreverente quanto o desenhista, Otto Guerra disse que "este é o primeiro filme meu de que minha mãe gostou. Só que ela garantiu que vou arder no inferno por causa dele". A produtora Marta Machado, por sua vez, informava ao público do Cine-Teatro Guararapes que "Wood & Stock" foi o "primeiro desenho animado proibido para 18 anos pelo Ministério da Justiça. Tirem as crianças da sala!". Esta censura tem a ver com as cenas de sexo, especialmente da insaciável Rê Bordosa (que tem a voz de Rita Lee), e as de consumo de drogas (o "orégano" do título, ou seja, maconha). REFERÊNCIAS POP O roteiro de Rodrigo John fala das angústias de cinquentões que já foram descolados, como Wood e Stock, e hoje não têm muito o que fazer -- exceto sonhar em remontar sua velha banda dos anos 1970, hoje chamada Chiqueiro Elétrico, com um novo vocalista punk, o porquinho Sunshine. A idéia de voltar à banda, aliás, vem de uma visão de Wood, que enxerga em seu copo o profeta Raulzito (óbvia alusão ao cantor Raul Seixas, dublado por Tom Zé). Os protagonistas são, aliás, a cara tanto de Angeli, quanto de Guerra -- ambos nascidos exatamente em 1956 e ostentando orgulhosamente seus cabelos brancos. Os dois se conheceram em 1993, quando Guerra produzia uma outra adaptação de quadrinhos, o longa "Rocky e Hudson: Os Caubóis Gays", a partir dos personagens de Adão Iturrusgarai, tocando neste assunto-tabu muito antes do premiado filme "O Segredo de Brokeback Mountain", de Ang Lee, mas sob um ângulo humorístico. Em "Wood & Stock", há inúmeras referências pop que alegrarão os fãs de rock -- como a cena em que os quatro integrantes da banda Chiqueiro Elétrico atravessam a rua numa faixa, exatamente igual à capa de "Abbey Road", penúltimo disco dos Beatles. Ou quando Stock queima sua guitarra no palco, como um dia fez Jimi Hendrix. CURTAS E VÃ?DEOS -- Também foi a noite da animação na seção de vídeos nordestinos e curtas. Houve três concorrentes no formato. Foi o caso do sensual e bastante explícito "Deu no Jornal", de Yanko Del Pino (DF), que materializa as fantasias de um homem que consulta a seção de classificados eróticos de um jornal. Os outros dois vídeos nesta técnica seguiram temáticas mais comportadas. Como "Guenzo", de Renata Pinheiro (PE), que retrata as aventuras de um cachorrinho de pilha, num dia em que foge do camelô que o vende. Já "Somos Nós", de André Pyrrho e Paulo Fialho (PE), narra em clima surreal uma fábula rural pernambucana, envolvendo um menino, um velho e um burrinho. No gênero documentário, o vídeo "Pé na França", de Ricardo Mello (PE), acompanha uma curiosa viagem de dois repentistas nordestinos pelo sul da França, a convite de uma associação musical francesa que pesquisa as relações entre a música medieval dos trovadores e este gênero popular brasileiro.

 
  19/04/2006
  JC OnLine (Recife)  
  Wood e Stock levam escracho à tela do Cine PE  
  Foi com casa lotada (mais de 2 mil pessoas) e recepção total do público do Cine PE que os quarentões hippies Wood e Stock debutaram nas telas do cinema, nessa terça à noite. A dupla - velha conhecida nas tiras de jornais - ganhou projeção em animação, sob o título Wood & Stock: sexo, orégano e rock"n"roll, com assinatura do gaúcho Otto Guerra e bênção do criador Angeli. Nos quase 90 minutos de filme, os amigos ripongas se vêem em pleno século 21 levando a mesma vida de 30 anos atrás - continuam a ouvir Jimmy Hendrix, fumar "orégano" no banheiro, não ousam cortar o cabelo, trabalho nem pensar. Diante de filhos e sociedades caretas, resolvem retomar a banda de rock cujo líder é um porco protagonista de cenas hilárias no filme. A trilha sonora (dos Novos Baianos a Júpiter Maçã) faz casamento perfeito com as imagens escrachadas de nudez, delírio e atos politicamente incorretos dos "atores principais" e coadjuvantes. A dublagem idem (com vozes de Rita Lee e Tom Zé). Histórias paralelas dão movimento à animação, como a visita da prostituta Rê Bordosa ao psiquiatra e a troca de família do filho de Wood com um nerd da escola. Após a sessão, um cheirinho de troféu Calunga pairou no ar. CURTAS - Entre os sete curtas (vídeos digitais e 35mm) da noite, o destaque ficou também para uma animação. Deu no jornal, do brasiliense Yanko Del Pino, é um misto da praticidade do homem moderno e a facilidade de se encontrar "companhia" nos classificados de jornal. Ao folhear tais anúncios, cenas de sexo ganham vida através de desenhos riscados nas páginas. O final mostra a realidade sendo laçada pelos desejos mais humanos e comuns da situação.

 
  18/04/2006
  Site do CINE-PE www.cine-pe.com.br  
  "Wood & Stock" chega ao Cine-PE  
  Com ilustrações de Angeli e dirigido por Otto Guerra, a animação conta com as vozes de Rita Lee e Tom Zé. O gaúcho “Wood & Stock: sexo, orégano e Rock’n Rollâ€?, de Otto Guerra, é o segundo longa-metragem em competição do Cine PE – Festival do Audiovisual. O filme é uma animação baseada na obra original do cartunista Angeli e conta a história de Wood e Stock, dois velhos hippies, que envelhecem de repente 30 anos de suas vidas. Eles tentam adaptar-se ao ritmo da vida cotidiana, cada vez mais consumista e individualista, mas o tempo de sexo, drogas e rock and roll ainda vive impregnado nos personagens. Os dois resolvem então ressuscitar uma velha banda de rock’n roll. Marta Machado, produtora do filme, não esconde a expectativa com a exibição no festival. “Estamos ansiosos e com medo, dizem que a platéia é muito participativa.â€? O longa chamou a atenção recentemente por ter a censura estabelecida em 18 anos. “Somos a única animação com essa classificação indicativa no país, é históricoâ€?, brinca Marta. O longa ainda conta com as vozes de Rita Lee, dublando a personagem Rê Bordosa, e Tom Zé, dublando o personagem Profeta Raulzito.